sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

refrigerante


navalhas
na carne
as palavras
cortam
céleres
para acordar
consciências
não quero mais
gritar teu nome
pelas alamedas
praças
atalhos ou galerias
minha pele
negra
sangra
o sangue
índio
das Américas
estupradas
diariamente
nas calçadas
cheias das garrafas pet
de álcool
refrigerante
ou outras opções
para se envenenar
lentamente
nas hordas infectadas
dos fluxos incontroláveis
de muitos e muitos carros
eclodindo velozes
gases contaminantes
quase instantâneos
que explodem
em orgasmos
sem sentimentos
silenciosos
satisfeitos
individuais
como os ódios
estampados
nas manchetes
mentirosas
que transfiguram
multidões

josé marcos

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

escondido



foragido
de mim
devo estar
escondido
atrás
do reflexo
de alguém
em algum espelho
quebrado
em um quarto
escuro
de qualquer
cidade
periférica
do planeta
destilando
saudade

josé marcos

não tenho medo

não tenho medo
que nossa fúria
fique escondida
sob as lágrimas
segregadas
nos travesseiros
não tenho medo
que nossa fúria
fique escondida
nos gritos
afogados
nos chuveiros
não tenho medo
que nossa fúria
fique escondida
nas matanças
toscas
forjadas nas celas pretas
não tenho medo
que nossa fúria
fique escondida
em abortos clandestinos
morte prematura
de negras mulheres periféricas
não tenho medo
que nossa fúria
fique escondida
a luta continua
contínua
impertinente

josé marcos

é assim!



aqui
entre nós
podemos
nos amar
de um jeito
diferente
que é nosso jeito
de amar
do jeito
que a gente combinou
nosso jeito
assim
estranhamente
deste jeito
que inventamos
de viver
misturando
teu jeito
com meu jeito
de ser
para ser
nosso jeito
especial
de ser

nós


josé marcos

terça-feira, 31 de outubro de 2017

surrealista



descontroladas
feras
urram
por minha pele
besuntam-me
com um suor
contaminado
poluição
violência
avançam ferozes
para abocanhar
sem vergonhas
vidas
numa opereta
surrealista
provocando
extases
desavergonhados
nas calçadas
soberbas
em lixo e fedor

josé marcos

bomba


feito
um viciado
em bar
carrego
um discurso
monótono
já não sei cantar
pro meu amor
tenho uma bomba
estacionada
no coração
me salva
não deixa
eu  pular
do viaduto


josé marcos

puro sangue



gritar
é pouco
para o tamanho
da minha dor
ela é puro sangue
mastigando-me
as emoções
fervilha
formigueiro
queima
intolerante
me aproxima
rápida
da morte
que caça
minha alma
frágil


josé marcos

terça-feira, 24 de outubro de 2017

motivo

de meus sonhos
tu és o motivo
o encanto
acordei
só pra dizer
te amo

josé marcos


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

tsunamis



aonde eu for
a qualquer  tempo
guardo
um encanto
um canto
em um canto
especial
dentro de mim
embora
os tsunamis
nos separem

josé marcos

sorridentes



o sol dança
espalha ritmos
pelas carícias
de seus raios
a refletir
nos teus olhos
sorridentes


josé marcos

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

faltam muitos

quantos poemas esqueci
perdi
deixei de ouvir
ler
escutar
dizer ?
faltam muitos


josé marcos

canjere


dança
mulher
ginga
sapateia
em meu coração
faz dele
teu salão
terreiro
canjerê
terreno novo
pro plantio
de sonhos
desejos
cultivo de muitos
bem quereres

josé marcos

etecetera



damos as mãos
nos jogamos
no precipício
do amor
pra viver
saborear
ao máximo
todas
as aventuras
travessuras
sagas
arrepios
apegos
enfados
rusgas
birras
chamegos
vertigens
e etecetera

josé marcos

meu filho

todo dia
invento
uma canção
que parte
anônima
se espalha
nas paisagens
nas calçadas
da cidade
diluída
nos olhares
nos cheiros
nos abraços
nos afagos
afetos
carícias
toques
choros
gritos
na chuva
no frio
ao sol
na praça
brincando
para mostrar
a vida
desabrochando
extraordinária
na nossa cara
meu filho
mágica música
que impulsiona
à travessia
dos mistérios

josé marcos

sempre viva



você
minha flor
sempre viva
prazer
encontro
descoberta
mel
fel
mistura
canção
coragem
risco mal calculado
pra avançar
no mar
de amor
que pode nos afogar
de paixão
em uma noite
de lua cheia
numa aurora
num crepúsculo
com o céu
tangido de vermelho
incandescente
como um beijo quente
inesperado
em uma esquina
paulistanamente
romântica

josé marcos

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

olho d'água


já no princípio
fonte de vida
a água
que saltita
cristalina
pingada pela chuva
em poças
se infiltra
capilar
sob a lama
nas entranhas
da Terra
para retornar
olho d’ água
mina
nascente
bicas
poços
corredeiras
cascatas
cachoeiras
lagoas
lagos
riachos
ribeiros
ribeirões
rios
o Amazonas
o mar
os oceanos
um beijo
na boca


josé marcos

flor

se
assim
flor...
beija

josé marcos

faz de conta


linda
a lua
nos inspira
vem
faz de conta
que hoje
é sábado
vamos
dançar
xotear
até o sol raiar
meu amor

josé marcos

silêncios



calam-se
gritos
por todos
os lugares
nas ruas
nos lares
em nós

josé marcos

suicídio


suicido
instante a instante
terminantemente 
momento a momento
de modo vagaroso
lento
em conta gotas
a cada pingo
para sentir
todo
o sofrimento
que passa
na janela
sem cortinas


josé  marcos

folha seca


apesar
da primavera
estou 
folha seca
a deriva
pelos cafundós
de minha alma
voraz
insatisfeita

josé  marcos

meus horrores



insanos
meus humores
passeiam
pelos horrores
da mente
(eles não mentem)
assustam
meu  ente
do bem
com a intransigência
devoradora
do mal
que arranca
olhos
seca
pensamentos

josé marco
s

terça-feira, 19 de setembro de 2017

samba de roda



sonho
meu coração
é um samba de roda
inspirado
no teu gingado
batuqueiro
ao som
de palmas
nas mãos
gira a roda
roda e gira
dança
faceira
na beira
da fogueira


josé marcos  

irremediavelmente


    despido
    de pudores
    atravessamos...
    o abismo espinhoso
    das verdades
    para denunciar
    do homem
    as infâmias
    as palavras
    muitas vezes
    são o senão
    soam como acinte
    açoite
    fazendo da razão
    meros subterfúgios
    dos pensamentos
    parias
    vagando
    incompreendidos
    de boca em boca
    basta!
    quero
    meu corpo nu
    pouco estético
    andando pelas ruas
    adentrando palácios
    repartições
    igrejas
    defenestrando
    convicções sem paixão
    para ser execrado
    escarniado
    escrachado
    excomungado
    esculhambado
    achincalhado
    subjugado
    até ser ignorado
    para que possamos
    enfim
    enxergar
    além de nossos olhos
    dentro das consciências
    de modo a sermos
    irremediavelmente
    livres

    josé marcos

solidariedade


    sangro
    derreto
    morro...
    invisível
    ao teu lado

    josé marcos

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

frescor



agarra-me
com luxuria
exala
o frescor
de delicias
expostas
em poemas
sexuais
grafitados
nos vitrais
mutantes
de templos
ancestrais
para eu
explicar
ao mundo
que te amo

josé marcos

ninhos



através do espelho
olhamos
profundamente
pra dentro
de nós
para escolher
um sonho bom
que nos ensine
novos caminhos
que nos apresente
novos abraços
ninhos de afetos
que existem
no fundo dos olhos
que reflete
cada olhar
amigo


josé marcos

sem hipocrisia



acredite
a ferida
é maior
não
nos resta tempo
para  cura-la
as lágrimas
no travesseiro
já secaram
olhemos
para um mundo
maior
que nosso tamanho
vejamos
um horizonte
imenso
para abraços
sem hipocrisia
beijo


josé marcos

entrelaçados



corações
não sei
mas 
abraços
afetos
beijos
carinhos
desejos
quereres
sonhos
teus
meus
nossos
perdidos
seriam achados
entre fios de cabelos
roupas espalhadas
copos quase vazios
criando
cenários
para corpos
entrelaçados
sem explicações...

josé marcos


me dá um beijo



escorregue
pra dentro
de meu abraço
sinta
o compasso
o ritmo
a harmonia
do meu coração
freche os olhos
regue  as flores
dos jardins
de teus sonhos
cante
dance
grite
me dá um beijo
segura
na  minha mão

josé marcos 

renovação automática



se vaza
sai da minha vida      
me esquece
pô !
até parece
que é tua obrigação
teu trabalho
me infernizar
um pouquinho
a cada instante
muda o  disco
atravessa a  rua
vai ser  feliz
se amar
encontrar alguém
pra dar prazer
gozar
me erra
pelas próximas
999 eternidades
com a garantia
de meu direito
da renovação automática

pra sempre

josé marcos

chuva



rios
verticais
assustam
minhas janelas
enquanto
caem
voluptuosos
encharcando
de prazer
a terra
sequiosa
tal qual
seu olhar
a inflamar
minha
existência
de  desejos

josé marcos