Poetaria
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
escondido
foragido
de mim
devo estar
escondido
atrás
do reflexo
de alguém
em algum espelho
quebrado
em um quarto
escuro
de qualquer
cidade
periférica
do planeta
destilando
saudade
josé marcos
não tenho medo
não tenho medo
que nossa fúria
fique escondida
sob as lágrimas
segregadas
nos travesseiros
não tenho medo
que nossa fúria
fique escondida
nos gritos
afogados
nos chuveiros
não tenho medo
que nossa fúria
fique escondida
nas matanças
toscas
forjadas nas celas pretas
não tenho medo
que nossa fúria
fique escondida
em abortos clandestinos
morte prematura
de negras mulheres periféricas
não tenho medo
que nossa fúria
fique escondida
a luta continua
contínua
impertinente
josé marcos
é assim!
aqui
entre nós
podemos
nos amar
de um jeito
diferente
que é nosso jeito
de amar
do jeito
que a gente combinou
nosso jeito
assim
estranhamente
deste jeito
que inventamos
de viver
misturando
teu jeito
com meu jeito
de ser
para ser
nosso jeito
especial
de ser
nós
josé marcos
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