algumas cabras vermelhas pastam despreocupadamente sentadas nas janelas quebradas das casas desbotadas às margens dos córregos que negando-se a ser suburbanos sibilam velozes revoltos sobre o asfalto carregando entulhos automóveis e pessoas lixo como um urro insaciável atormentando o sono dos recém nascidos enquanto ligado na tomada instalado no sistema entrelaçado em tramas mundiais quase infinitas o deputado sorrateiramente conta os dinheiros da propina que matou muitas mães das periferias mas paga seu uísque tão falsificado quanto as notícias dos telejornais oficiais ou o amor de sua esposa que se entrega lasciva ao chefe de gabinete do seu adversário
pra amor
não tem direção
não tem vacina se bobear contamina-se na esquina parque elevador metrô trem fila do banco parada de ônibus pronto-socorro sarau carnaval um olhar como o teu formidável encanto se espalhando feito uma mania contagiante serena febre arrepio de pele alma breve repentina espalhando pela nossa cidade uma canção desconcertante