terça-feira, 1 de março de 2016

n' outras bocas






 
n’ outras bocas
vou me
envenenar
desviciar
de teu cheiro
gosto
aperto
ventre

josé marcos





pequema história


 

na noite
faço uma canção
pequena historia
tremula
pra balançar
teu coração
pois
é muito bom 
brincar de paixão
de se amar

récem nascidos

 
algumas cabras
vermelhas
pastam
despreocupadamente
sentadas
nas janelas
quebradas
das casas 
desbotadas
às margens
dos córregos
que negando-se
a ser suburbanos
sibilam velozes
revoltos 
sobre o asfalto
carregando
entulhos
automóveis e pessoas 
lixo
como um urro
insaciável
atormentando
o sono
dos recém nascidos
enquanto
ligado na tomada
instalado 
no sistema
entrelaçado
em tramas mundiais
quase infinitas
o deputado
sorrateiramente
conta os dinheiros 
da propina
que matou
muitas mães
das periferias 
mas paga
seu uísque
tão falsificado
quanto as notícias
dos telejornais 
oficiais
ou o amor
de sua esposa
que se entrega
lasciva
ao chefe de gabinete
do seu adversário
 
josé marcos

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Sampaulicéia



São São Paulo
Sampaulicéia
meu amor
mais escancarado
absolutamente
desvairado

josé marcos 

lisergicos



alucinantes
flamejantes
lisérgicos
suspiros
soam
trêmulos
entrecortados
por sussurros
encobertos
pelo silêncio
em que
roseiras parem
botões
vibrantes
em perfume
cores
amarelo
branco
rosa
vermelho
enquanto
beijos
gemem
na tua boca
sequiosa


josé marcos

sem passaporte

sigo
tentando
desvendar
abismos
desafios
pelas calçadas
entre chuvas
serenos
garoas
serenatas
deboches
sol de verão
dramas
tragédias
comédias
encontros
escandalosos
sem passaporte
entre amigos
becos
instantâneos

josé marcos

se bobear


pra amor
não tem direção
não tem vacina
se bobear
contamina-se 
na esquina
parque
elevador
metrô
trem
fila do banco
parada de ônibus
pronto-socorro
sarau
carnaval
um olhar
como o teu
formidável
encanto
se espalhando
feito uma mania
contagiante
serena febre
arrepio 
de pele
alma
breve
repentina
espalhando
pela nossa cidade
uma canção
desconcertante

josé marcos