terça-feira, 12 de setembro de 2017

margens




seus abraços
seus amores
seus ideais
suas ideias
seus desejos
suas poesias
suas razões
seus sentimentos
seus sonhos
suas verdades
um rio
a correr
para o mar
infinitamente
arrastando
para longe
em seu leito
impetuoso
as inutilidades
da vida
enquanto
encantado
pulveriza
gotículas
nas flores azuis
que moram
no abraço
de suas margens


josé marcos

caatinga



 
sinto-me
um cacto
mandacaru
ressecado
na  caatinga
de teu
desprezo
 
josé marcos 

canjica




todo dia
convivo
com meus horrores
por mais que grite
eles
não me abandonam
não me deixam
me acusam
ferozmente 
apesar
das juras
das lágrimas
das drogas
das dores
ai ai ai
me dá uma canjica
pra ver se o milho
me explica
o que que eu faço
para me livrar
desta zica

josé marcos

nu





a cada sonho

açoite
chibatada

nu
meio dia

na  praça

lotada

 

 
josé marcos

hip hip urra !



entre astros
nos olhamos
estrela guia
espelho
brotando
nosso reflexo
sinfonia
a irromper
gargalhadas
trilhas sonoras
escândalos
espetáculos
nos palcos
avenida
rua
quarto
quintal
novela
cinema
par ou impar
para cantar
a esperança
de ser campeão
uma vez na vida
no jogo
de botão
com o neto
no campeonato
da comunidade
na praça
do quarteirão
do bairro
que moramos
hip hip urra !
viva tu
viva eu
viva nós
viva o time
campeão

josé marcos

quase romântica


um vento
quieto
me abraça
me inspira 
poesia 
uma canção
daquelas
para musas 
para musos
pra todo mundo
dançar
cantar
mor ti ti ti 
um alegria
quase romântica
transpirando
em mãos
entrelaçadas
abraços
passos
amigos
risos
gargalhadas
palpitando 
pelas ruas
pelas praças
pelas cidades
pela eternidade

josé marcos

barcos de papel




 

ô lua linda
que encanta-me
como às moças
desperta
encantamentos

desejos

atrai

enigmática
corações

apaixonáveis

frágeis

barcos de papel

jogados ao mar
para enfrentar

as tempestades

da vida

pra viver

de amor
pra morrer

de amor

a qualquer
momento

 
josé marcos