segunda-feira, 30 de agosto de 2010

leveza do afeto

um abraço
de teus braços
é sentir a leveza do afeto
acarinhando corações
já que o teu borbulha,
em paixão,
a cada gesto
no olhar de encantaria
percebendo a tremula alegria
que tua existência nos provoca,
calorosamente

josé marcos

delicadamente

delicadamente
seu cheiro
espalha-se pela cidade
entorpecendo corações
como o meu que,
ingenuo
sonha amante,
com teus beijos

josé marcos

nús de nós

talvez,
o máximo que pode acontecer
é dormirmos abraçadinhos
embora nús ...
de nós

josé marcos

pluma

pluma
pairas em meus devaneios
a provocar enredos
despertar desejos

josé marcos

inatíngivel

por descuido
deixou-se quebrar
o cristal frágil
do encanto
inatingível
entre zumbidos de balas
segue impassível
a procissão das prostitutas
para Nossa Senhora do Bom Parto

josé marcos

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

florescente

somos como duas bolas de sabão
assopradas ao léu
flutuando sem eira nem beira ...
ao acaso.
entretanto ,
fultacor,
um trilhão de arcos-irís
na palma da mão
total provocação de alegria
nos meninos
de quaisquer latitudes
de todas as atutudes
digitalizadas
em esquinas da memória
registrando um querer bem
livre e transparente
brilhando florescente
tanto nas estrelas
como nas idéias

josé marcos

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

ônibus pra lua

se houvesse ônibus pra lua
te convidaria
pra dar um passeio
chegar mais perto das estrelas
para elas se encantarem
com o brilho mágico do seu olhar

josé marcos

terça-feira, 24 de agosto de 2010

primavera

a primavera
escancara-se
fértil
no abraço da cidade
insinua-se
tesa
nos olhos e saias
das moças todas
e eu
pássaro no cio
busco pelos jardins
perfume novo
sabor de mel
de uma flor cigana
você

josé marcos

perpétuas adagas

ora!
só resta-me dizer
que os líricos versos
desta inquieta alma
sucumbem sob o fio
insano
de perpétuas adagas
que sibilam
pelas frestas obscenas
de palavras vis

josé marcos

nas fotografias

carmim, a cor do batom
que usavas
no meu sonho.
carmim, a cor do desejo
que tua boca deixou
nas fotografias.

a John Lennon

John,
você se foi
num soluço.
o mundo continuou inquieto,
homens ainda marcham, soldados.
rompem
atiram
matam
de repente - dissimulados -
com os olhos frios
como a morte
que te abraçou.
o sonho repousa
nas entrelinhas dos poemas
das canções,
na melodia calma dos pássaros
despertando a manhã.
mas nossa tribo
ameaçadoramente furiosa
nem repara nas bandeiras
alvas e alegres
tremulando pacíficas
no horizonte azul
e pode te matar
outra vez.

08.12. 82 josé marcos

Violeta

assim...
meiga menina
sussurrante entre sonhos
arrepiantes tocares
do prazer infindo
desabrochas delícia
fértil abraço de vida
gozo pleno
explosão
de nós amantes
instante par
translúcido no desejo,
absoluto sorriso
de um paixão
completa
complexa
reinando trilouca,
fulminante
na qual você germina,
flor nova
pequenina mulher
Violeta

josé marcos

haya que bailar

19. haya que bailar
não adianta reclamar
tem que ser
de noite, de dia
haya que bailar
olhar nos olhos
bailar, bailar
neste ritmo “caliente”
nesta alucinada busca
do sabor da alegria
perfume
cheiro
magia
um querer saber
de todas as cores
complexo cotidiano
dia após dia
nem só para Josés
nem só para Marias
haya que bailar
espanto e fantasia
bailar
bailar sabor mágico
amor e agonia


josé marcos

na calçada

estava lembrando de ti
daquele domingo na chuva
do velho, com suas velhas histórias.
d’aquela rosa
roubada d’um jardim do acaso
explodindo no meio da praça
sem nome
marcada em crimes
buzinas e apartamentos
onde as pessoas se amam
escondem-se
odeiam-se.
estava lembrando de ti,
esqueci de mim . . .
na calçada


josé marcos

um céu de chumbo

fulminante,
o silêncio
entorpeceu-nos.
perplexo,
um céu de chumbo
cobriu desejos
transfigurados.
fria,
a noite
apagou o rastro colorido
das paixões
inhaca!

josé marcos

na beira torta do acaso

ah!
nesta hora
ser apenas um suspiro
abandonado
na beira torta do acaso
tocando clandestino
a fugitiva visão
espalhada em olhares,
afagos aventureiros
de sonhares desvairados
que sem prévio aviso
transbordam em nós


josé marcos

gabinetes à prova de bombardeios

em algumas praças
sobrevivem árvores.
em algumas cidades,
homens.
enquanto a chuva cai,
ácida , nos parques de diversões.
dos indevassáveis laboratórios,
vírus ou bactérias de novas epidemias escapam,
confortavelmente instaladas em gabinetes à prova de bombardeios,
autoridades saboreiam vinhos do Século 18
planejando uma nova guerra
para implantar a paz na Terra

cirandando

com cantigas
de roda
cirandar
cirandei
em versos
em prosa
muitas rosas cantei
mas,
as frágeis notas
de meu canto
não conquistaram
seu encanto
e as rimas fáceis
feito um pranto
apagaram-se
na bruma rápida
do espanto

josé marcos

ciúme

na porta do gol,
toda voz.
os gritos, todos,
e você não me telefona
mesmo que seja
pra dizer adeus .
derreto-me
sufoco-me
ansiosa angústia
dúvida, ah! dúvida,
estapafúrdio e supremo terror
degradação!
ciúme.

josé marcos

sabor

sou o cometa
que rabisca
seu coração
de século em século
brilha um segundo
depois vai embora
sem tempo
de sentir direito
o sabor
do teu desejo

josé marcos

não ligue não

não,
não ligue não
pela partida
nem chore
apenas se emocione
pois resta um pedaço de lua
brilhando no céu do coração
estrelas cadentes
cintilam em nossos olhos
e assim viajamos loucos
no gozo pleno
d’um abraço moreno
alegre
cigano
com cheiro de tesão
sabor de mel

josé marcos

anjo rebelde

sou o anjo rebelde
asas da transformação
revirando ávido
as entranhas da esperança
para que um sorriso
possa se expandir
matreiro e fogoso
em teu rosto
saudoso

josé marcos

alma gelada

o dia
claro e belo
pouco aquece
meu corpo frio
minh’alma gelada.
ah! saudade das noites
ao calor de seu corpo
alegria, abraços e beijos
louca fragrância exalando
dos corpos amantes
inflamando o quarto,
corações,
despertando emoções


josé marcos

quente

entre os teus cabelos,
a brisa caminha
sem pressa
leva no seu caminho
o doce gosto
d’ um milhão de beijos.
entre murmúrios de flores.
quente,
geme meu desejo
grito escondido,
feito agonia,
transpirando pelas faces
a cada lágrima,
em um olhar

josé marcos

paira a dúvida

O que será que há
depois da curva?
uma reta ?
outra curva ?
um abismo ?
teu abraço,
novo afeto ?
sei lá
ou cá ...
paira a dúvida
nossa !
como eu queria
me jogar...
nos teus braços
e delirar.
delirar
esquecer que o mundo existe
e só te amar
mas,
paira a dúvida

teus sonhos embaraçam

num instante
teu corpo dorme moreno
sobre alvas nuvens
em jasmins.dourados,
teus sonhos embaraçam
nos cabelos revoltos
acariciando azougados
antigas canções
novos poemas
que loucos ciganos
respiram o hálito,
aromático,
que suspira multicor
na tua boca
vermelha


josé marcos

nesta hora

nesta hora
minha boca anseia
o sabor do seu beijo
para descobrir
os caminhos
de teus desejos
fazer meu corpo
se entregar
aos delírios d’um prazer
a transbordar mansamente
tornando-nos cúmplices
em cada toque
suspiro
sentidos
saberes
sentir
estar
como pétalas
que bailam ao vento
sussurrando alegrias
num susto
nós

josé marcos

escandalo

não,
não me venha
com este amor de novela
obediente ao roteiro
merchandising
pico de audiência
cenas bem montadas
sem imprevistos
nenhum improviso
com galã
bom mocismo
não!
quero um amor tórrido
inconseqüente
dolorido
ibope zero
que seja para nós
o mais bonito
escandaloso
muito louco
puro tesão

josé marcos

suspiro

a vida
é um suspiro
ai !
suspiro...

josé marcos

entusiasmo

minha poética
é um entusiasmo,
rouco,
solitário
que sufoca,
elimina,
trucida
a vontade de ...
descompromissadamente
amar

josé marcos

nem percebes

argh!
enquanto,
esperas do amor um encontro
nem percebes
que a chuva revela
tantos encantos

josé marcos

ansiedades

tensos,
muito tensos,
meus lábios
balbuciam
ansiedades

josé marcos

possibilidade

extasiado,
meu corpo estremece
com a possibilidade
do teu abraço

josé marcos

reflexos

reflexos...reflexos...
reflexos...
incontáveis reflexos
diria até: infinitos reflexos
entalhados
no lado de dentro do espelho
como a morte
em nós.

josé marcos

entretanto

...entretanto,
ainda acredito,
sonho!

josé marcos

alarido

no bar
alarido
no peito
solidão
embora a multidão grite
faz-se silêncio
n’alma


josé marcis

terça-feira, 10 de agosto de 2010

abraçados

TESÂO
ser célula
grão
átomo
sentido
significado
instante
pedaço
vida
sua
minha
da vida
dos outros todos
partícula insana
louca
rouca
incomodante
como gritos
na noite escura
das mentes
pouco tranqüilas
tocando blues
em calçadas desgarradas
de avenidas esquecidas
das noites boemias
como nós
abraçados

josé marcos

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

insônia

que você seja
a minha mais prolongada insônia
nunca uma agonia,
um intenso prazer
poesia


josé marcos

pena

...
pena,
que o meu amor
não seja...
o nosso.

josé marcos

teu aroma

mulher,
as pétalas de todas as flores
não conseguem exalar a magia
de teu aroma

josé marcos

amigo

Não te quero uma sinfonia de soluços,
reclamos,ais, suspiros...
mas no gargalhar debochado
aos desastres que sucubiram
frente a imponente persistência
molecamente tripudiando-se
no apego inconsistente
às coisas sem conseqüência
alinhavando lembranças
colecionando anos
feito figurinhas coladas
em um álbum incompletável.
quero-te, sempre, um abraço,
um afeto,
um afago.
para que possamos contar,
em outros tempos,
aos viajantes do futuro...
como é ter um amigo.

josé marcos

veloz

chove !
o silêncio escorre veloz
nas ondas das enxurradas
como seu amor que acabou
em apenas um pensamento


josé marcos

pão de mel

meu coração
é um pão de mel
para alimentar
teus desejos,
inconseqüentes
meu amor
é um rio misterioso
onde navega
o barco tremulo
de paixões inesperadas
um beijo,
sempre,
fica guardado
para explodir no encontro
de histórias que se aproximam,
súbitas ,
em olhares virtuais


josé marcos

carnaval

até parece
que o meu coração
é uma avenida
para você desfilar
sua ingratidão,
impiedosa,
a sapatear no meu amor
e só, de deboche,
faz uma arrelia
um carnaval
em que você
é o destaque principal

josé marcos

vocação

enquanto
cristais pulsam,
na veia acesa,
pia fria,
pingam sonhos
gotas tão loucas
na boca seca
vocação perplexa
da morte rouca

josé marcos

trama particular

em cena
desvendo-me
rápidos
transfigurados sonetos
desequilibrados
no olhar no olho
filme ?
não !!!!!
trama particular
tirania sem nexo
corta!

josé marcos

mancha

a tintura
dos teus cabelos
manchou
meus sonhos

josé marcos