esta noite,
espero,
que as mulheres...
gritem,
iradas,
todas
as traições
as nossas
as suas
as inventadas
as de fato
as pensadas
as sonhadas
as arquitetadas
as provocadas
as estampadas
as denunciadas
as reveladas
as mortais
as nascentes
as desejadas
as passadas
as esquecidas
as de agora
as perdoadas
as futuras
as prováveis
todas
e mais algumas
para colocá-las
em um varal
e destilá-las
para, depois, entregar
seu néctar
ao papa
dentro de um coração
vasilha metálica
forjada em prata,
fria,
todavia
tão ardente
em amor e ódio
que lentamente
queime - lhe
as mãos
a alma
ao celebrar,
circunspecto ,
a sexta- feira
da paixão
enquanto
os homens
em prantos
com mandíbulas tremulas
tentam compreender
o encanto
a luz
a poética
transgressiva
que brota
enfeitiçante
no aconchego
sereno
de um abraço
de cada
mulher
josé marcos
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