quinta-feira, 8 de novembro de 2012

cada lágrima

cada lágrima
me atormenta
prisioneiro
de mim
presa
asfixiada
pedra dura
que compõe
a argamassa
disforme
das calçadas
sujas
de egoísmo
assassinatos
genocídios
paixões
sem escrúpulos
entre sorrisos
pássaros
flores
crianças
inocentes
embaladas
nuas
em sacos
plásticos
jogados
ao meio fio
cada lágrima
me atormenta
as tuas
as deles
as do mundo
as minhas
agonizando
no salto mortal
jogado no ar
espatifado
no fundo
do despenhadeiro
solitário
vida

josé marcos

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