segunda-feira, 7 de novembro de 2016

metrópole viciada


rápida
a vida
escorrega
escoa
pinga
em gotas
incertas
feridas
avisos
suspiros
fronteiras
com o nada
o obvio
rasgando
a garganta
seca
dos amores
não vividos
registrados
nas curvas
das rugas
que saltam
nos reflexos
dos vidros
dos rios
vagarosos
da metrópole viciada
em assassinatos
José Marcos

terça-feira, 1 de março de 2016

corpos entrelaçados


 
 
tenso

sangue  nos olhos

uma paixão resistente

arde no peito

grita aos ventos

uma nova canção

que chora nas pedras

dos caminhos sem rumo

debaixo de estrelas

apressadas

nas noites longas

de solidão

palpitando

borboleta

nos corpos entrelaçados

por esta gana

um estardalhaço

meu amor


josé marcos

bom bocado


ai! morena
você ai
linda
em seu vestido
amarelo
radiante
tal
um beija-flor
apaixonado
para
no meu sonho
como um bom bocado
de ser feliz
josé marcos

apenas


 
não preciso

do paraíso

quero apenas

te abraçar

pra chorar

de todas

as  maneiras
 
 
josé marcos

sem pressa




a vida

lambe-me

sem pressa

pulsa

grita

estremece

joga

rola

feito

bola

enrola

tremores

arrepios

toques

tocares

aproximações

aproximares

ais

ai ais

ai ai ais

ai ai ai ais....

apertares

apertões

arranhões

me arrebento

me derramo

tropeço

escorrego

em sentires

dos mais diversos

suaves

afoguetados

para

você

por

você

vem

derrete-nos

em teu afeto

me mistura

funde

tu

eu

nós

no caldeirão

que,

bonachão,

cozinha

meticulosamente

o feijão

despreocupado

da paixão

os instantes

fervilhantes

pingam

sem parar

na chuva

cotidiana

da existência

me beija

agora

amanhã

é dia

d’outro  beijo

ao luar


josé marcos

deve ser diferente


há novidades
adormecidas
nos corações
repentinas
auroras
irão despertar
vagarosamente
tingir de alegria
muitos sonhos
deve ser diferente
de teus abraços
desejos quentes
vão avançar
pelo front
enfeitiçando
como a magia
desmedida
da paixão
os campos
de trigo
de flores
extinguindo
delicados
os campos
de batalha


josé marcos

encharcada


hoje
mais que nunca
agora
minh ’alma
está encharcada
chove
sua
escorre
transpira
derrama
amor
afeto
tesão
para você
banhar-se
infinitamente
de mim
pessoa
querida
josé marcos

Nina



aroma
perfume
luz
menina
Nina
flor
debochada
desabrochando
encantos
em cantos
suaves
soltos
ao vento
que corre
alegre
pelo tempo
a espalhar
brilhos
em sorrisos
nos olhares


josé marcos


é agora


por mais

que eu perdoe

dissimule

deixe pra lá

tente esquecer

ainda doem

as chibatadas

n’alma ancestral

que geme

na consciência

transcendental

doem-nos

as visceras

trituradas

a pontapé

os filhos

arrancados

do colo

do ventre

SARAVÁ

a hora é nova

é nossa

é agora

não mais se pode

deixar

a banda passar

o brado

já estalou

no prado

alto

firme

rima forte

firmeza geral

do coração

não tem papo

no bico

a palavra

é federal

Zamba

Cangazanga

ZUMBI !

toda hora

é de luta

Bamza

Gazangacan

ZUMBI!

doce veneno


em meu terreiro

não brota medo

só nasce coragem !

o medo

é uma doença

forjada

inventada

entre sombras

dissimulada

para se infiltrar

doce veneno

nas fraquezas

que se tem

a coragem

é uma semente

plantada

no peito

na mente

pra germinar

valente

batalhar

incansável

mesmo

que seja

pata ganhar

sem alarde

nas entrelinhas

de nossa existência

 
 
 
 
josé marcos

refrigerante


navalhas
na carne
as palavras
cortam
céleres
para acordar
consciências
não quero mais
gritar teu nome
pelas alamedas
praças
atalhos ou galerias
minha pele
negra
sangra
o sangue
índio
das Américas
estupradas
diariamente
nas calçadas
cheias das garrafas pet
de álcool
refrigerante
ou outras opções
para se envenenar
lentamente
nas hordas infectadas
dos fluxos incontroláveis
de muitos e muitos carros
eclodindo velozes
gases contaminantes
quase instantâneos
que explodem
em orgasmos
sem sentimentos
silenciosos
satisfeitos
individuais
como os ódios
estampados
nas manchetes
mentirosas
que transfiguram
multidões
 
 
josé marcos

feminista


com a mãe

que tenho

sem chance

de não ser

feminista

desde pequenininho

ora ora

companheira



josé marcos

sardas


atrás

das sardas

de teu rosto

se escondem

mistérios

estrelas

desejos

luas

sonhos

paixões

 
 
josé marcos

assim


entre tragos
goles
muitos poemas
perdi
assim
esqueci
muito
um pouco
de você
 
josé marcos
 
 
 

 

 

 

 

n' outras bocas






 
n’ outras bocas
vou me
envenenar
desviciar
de teu cheiro
gosto
aperto
ventre

josé marcos





pequema história


 

na noite
faço uma canção
pequena historia
tremula
pra balançar
teu coração
pois
é muito bom 
brincar de paixão
de se amar

récem nascidos

 
algumas cabras
vermelhas
pastam
despreocupadamente
sentadas
nas janelas
quebradas
das casas 
desbotadas
às margens
dos córregos
que negando-se
a ser suburbanos
sibilam velozes
revoltos 
sobre o asfalto
carregando
entulhos
automóveis e pessoas 
lixo
como um urro
insaciável
atormentando
o sono
dos recém nascidos
enquanto
ligado na tomada
instalado 
no sistema
entrelaçado
em tramas mundiais
quase infinitas
o deputado
sorrateiramente
conta os dinheiros 
da propina
que matou
muitas mães
das periferias 
mas paga
seu uísque
tão falsificado
quanto as notícias
dos telejornais 
oficiais
ou o amor
de sua esposa
que se entrega
lasciva
ao chefe de gabinete
do seu adversário
 
josé marcos