terça-feira, 1 de março de 2016

refrigerante


navalhas
na carne
as palavras
cortam
céleres
para acordar
consciências
não quero mais
gritar teu nome
pelas alamedas
praças
atalhos ou galerias
minha pele
negra
sangra
o sangue
índio
das Américas
estupradas
diariamente
nas calçadas
cheias das garrafas pet
de álcool
refrigerante
ou outras opções
para se envenenar
lentamente
nas hordas infectadas
dos fluxos incontroláveis
de muitos e muitos carros
eclodindo velozes
gases contaminantes
quase instantâneos
que explodem
em orgasmos
sem sentimentos
silenciosos
satisfeitos
individuais
como os ódios
estampados
nas manchetes
mentirosas
que transfiguram
multidões
 
 
josé marcos

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