sexta-feira, 21 de abril de 2017

pelo que eu saiba


 

não sou
um homem
de medos
o medo
a meu ver
é inventado
pelo que eu saiba
ninguém
nasce com medo
implantasse-o
constroisse-o
dissimuladamente
nas trevas
no silêncio
mas
entretanto
temo
as coisas escondidas
a caminhar
sombrios
pelo palco
mórbido
de algumas vidas
a choramingar
praguejar
amaldiçoar
permanentemente
a cada instante
apesar do sol
da lua
cometas
estrelas
do brilho
da luz
dos olhos
que refletem
a alegria
de nossos amores
sem compromisso
pelas flores
bichos
crianças
anciões
artes
pelos esquecidos
a gritar
incansavelmente
atrás
das pálpebras
de cada
olhar
rebelde
que desafia
desigualdades

josé marcos



outro jeito




se nosso amor
fosse proibido
certamente
inventariamos
outro jeito

de amor

josé marcos

verão




repentino
um  sinal
despetala-se
num sol

sanguíneo
pingando

em gotas
que correm
nas notas
do choro
samba
canção
rock'n'roll
a soar
nas ruas

muitas
palavras

desmistificadas
pintadas
nas paredes
nas peles
sorridentes
com a chegada
do verão

josé marcos

entre suspiros


entre suspiros

 

menos
que pétala
menos
que
estrela
apenas
sonhador
um não poeta
um ajuntador
de rimas

inexpressível
cantador
de toadas
apaixonadas
bêbado
de emoções
corrosivas
escapando
entre suspiros
apressados
a tropeçar
na morte

da musa
periférica
como sua vida

desesperadamente




a seiva
da  selva
sibila
selvagem
entre
a folhagem
que se acaricia

tensa
tesa
plena
com os alaridos
de araras
ventos
macacos
em algazarras
da mata
que amazônica
grita
desesperadamente

me salva

josé  marcos

PIXO,


 



PIXO,
logo eu,
INSISTO
grito
rasgo
agarro
vermelho
cor do sangue
que escorre
dos negros
nas quebradas
nos becos
no quase ai
dos confins
do começo
do inferno
que você faz
questão
de manter
insolucionável
para todo
o sempre
em minha cidade
que já nasceu linda
pulsante ,
canalha

outros corpos






continuo
gritando
para alcançar
consciências
outros corpos
outros pensamentos
que gritem
também
para derrubar

os muros
construídos
nos  inconscientes
das nações
muitas
para matar
minha dança

meu cantar
nossa liberdade
continuo
gritando
nas ruas
na cidade
dentro de casa
em cada  olhar
para criar pontes
estratégias
mobilizando
territórios
artistas
quilombos
continuo
gritando
por ai
qualquer por ai

josé marcos

purpurina



pra este ano
descobri
uma fantasia
leve e brilhante

será nosso
novo visual
já que não se pode
dançar pelado
sair de purpurina
é o canal

josé marcos

na praça

amanhã
depois do fim do mundo

vamos chupar manga
na  praça
da paz celestial ?

josé marcos


lamina





pelas frestas
escapam
segredos
entre sorrisos
trincados de prazer
entre os dentes
n’ algum
trocar
de olhares
descontrolados
no abraço
inesperado !!!!!
pelas frestas
escapam
amores
pólen
precioso

a fugir
nas asas

nas  patas
de pássaros
de insetos
no escorregar

das gotas
do orvalho
de madrugadas
febris
nos desejos
alucinados

a assassinarem-se
na afiada
lamina
do ciúme
a querer sugar
a alma
possesso!

josé marcos

carnavalesca


 
nem toda a chuva
do mundo
vai tirar a purpurina
que você espalhou
entre  beijos
em minha alma
carnavalesca

josé marcos

caminhos




que um dia
eu alcance
a capacidade
plena
do sentir -  me
de pensar - me
mulher
para
talvez
descobrir
compreender
entender

os passos
as ações
as atitudes
que me levarão
a percorre
os mesmos
caminhos
com absoluta
igualdade
para
realizarmos

o amor

josé marcos

angustias





enquanto
minh’ alma
sangra
desolada
meu coração
descabela-se

em angustias
insolúveis

josé marcos

demônios


 

sim
existem
demônios
alguns
moram

em mim
subterraneamente
escondidos
em algum
inconsciente

uns  subjugo
extirpo
de imediato
com mantras
orações
rezas
outros
ao pressenti-los
célere
os afasto
com os mesmos
métodos
entretanto
tem aqueles
que me surpreendem
me  derrotam
transformam
corrompem
na psique
como alucinações
monstruosidades
que se escondem
nos cantos

mais escuros
mais profundos
da mente
chegam

sorrateiros
em versos
românticos
olhares
dissimulados
sorrisos
falsificados
para ferir
bulir
bolinar
ferir
machucar
sonhos
corpos
sim
existem
demônios
alguns
moram

em nós
há-se que descobri-los
controla-los


josé marcos

fusão


 


nosso amor
é um  magma
tão incandescente
uma fusão
invisível

que quando
o mundo acabar
continuará  brilhando

infinitamente
fluorescência

josé marcos

contaminado


 


desdentada
a coragem
avança
treslouca
blasfema
verdades
nas calçadas
do mundo
contaminado
de traição
no meio fio



josé marcos

jingando




a teus olhos
claros
surjo
moreno
periférico
frenético

sou  maloca
sou quilombo
sou favela
barraco
oca
índio

preto
bugre
negro
marginal
pobre
podre
enquanto sou

a natureza
rio
mar
vagalume

ariranha
mata
vento

avenida
atalho

tesão
no sangue
o choque
multiétnico

da alegria
a festa
o carnaval

bumba-meu-boi
maracatu
candomblé

jongo
jogando
impassível
as dores
os esquecimentos
das falcatruas
todas tuas
nuas
nos tribunais
de impostores
oficiais

sutilmente


 

 
 
apesar
dos silêncios
minha voz
não  vai  parar
de gritar
sutilmente
por todos
os lugares
entre

os sussurros
dos amantes
ai, ai, ais

dos debochados
entretons
de buzinas
alucinantes

planto flores


 


desvia
que  a parada
é louca
planto flores
pra você

enquanto
a Lua Cheia

de desejos
beija

meu corpo
nu
debaixo
do chuveiro
no quarto
úmido

do hotel
onde
a meretriz
realiza
seus negócios

sem horário



eu

queria
que você
fosse 
minha guria
a namorada
para poder
te abraçar
beijar 
na boca
velejar
por sonhos
desconhecidos
grudados 
de amor
noite adentro
sem horário
pra acabar

josé marcos

escondida




só porque
é tão linda
a natureza
canta
quando
você

dança
pra enfeitar
de cores
os  ventos

os sonhos
dos meninos
tímidos
como eu
olhando
pra Lua
enquanto
no peito
mora
escondida

uma paixão

josé marcos

passarinho


 


vagalume
alumias
sonhos
guardados
em  acanhada
caixa pulsante
o coração
passarinho
apaixonado

josé marcos
 

raguei-me

 
de amor
rasguei-me
a alma
e te
deixei
escorregar
pra
dentro de mim
 
 
josé marcos