segunda-feira, 2 de agosto de 2010

amigo

Não te quero uma sinfonia de soluços,
reclamos,ais, suspiros...
mas no gargalhar debochado
aos desastres que sucubiram
frente a imponente persistência
molecamente tripudiando-se
no apego inconsistente
às coisas sem conseqüência
alinhavando lembranças
colecionando anos
feito figurinhas coladas
em um álbum incompletável.
quero-te, sempre, um abraço,
um afeto,
um afago.
para que possamos contar,
em outros tempos,
aos viajantes do futuro...
como é ter um amigo.

josé marcos

veloz

chove !
o silêncio escorre veloz
nas ondas das enxurradas
como seu amor que acabou
em apenas um pensamento


josé marcos

pão de mel

meu coração
é um pão de mel
para alimentar
teus desejos,
inconseqüentes
meu amor
é um rio misterioso
onde navega
o barco tremulo
de paixões inesperadas
um beijo,
sempre,
fica guardado
para explodir no encontro
de histórias que se aproximam,
súbitas ,
em olhares virtuais


josé marcos

carnaval

até parece
que o meu coração
é uma avenida
para você desfilar
sua ingratidão,
impiedosa,
a sapatear no meu amor
e só, de deboche,
faz uma arrelia
um carnaval
em que você
é o destaque principal

josé marcos

vocação

enquanto
cristais pulsam,
na veia acesa,
pia fria,
pingam sonhos
gotas tão loucas
na boca seca
vocação perplexa
da morte rouca

josé marcos

trama particular

em cena
desvendo-me
rápidos
transfigurados sonetos
desequilibrados
no olhar no olho
filme ?
não !!!!!
trama particular
tirania sem nexo
corta!

josé marcos

mancha

a tintura
dos teus cabelos
manchou
meus sonhos

josé marcos