terça-feira, 1 de março de 2016

refrigerante


navalhas
na carne
as palavras
cortam
céleres
para acordar
consciências
não quero mais
gritar teu nome
pelas alamedas
praças
atalhos ou galerias
minha pele
negra
sangra
o sangue
índio
das Américas
estupradas
diariamente
nas calçadas
cheias das garrafas pet
de álcool
refrigerante
ou outras opções
para se envenenar
lentamente
nas hordas infectadas
dos fluxos incontroláveis
de muitos e muitos carros
eclodindo velozes
gases contaminantes
quase instantâneos
que explodem
em orgasmos
sem sentimentos
silenciosos
satisfeitos
individuais
como os ódios
estampados
nas manchetes
mentirosas
que transfiguram
multidões
 
 
josé marcos

feminista


com a mãe

que tenho

sem chance

de não ser

feminista

desde pequenininho

ora ora

companheira



josé marcos

sardas


atrás

das sardas

de teu rosto

se escondem

mistérios

estrelas

desejos

luas

sonhos

paixões

 
 
josé marcos

assim


entre tragos
goles
muitos poemas
perdi
assim
esqueci
muito
um pouco
de você
 
josé marcos
 
 
 

 

 

 

 

n' outras bocas






 
n’ outras bocas
vou me
envenenar
desviciar
de teu cheiro
gosto
aperto
ventre

josé marcos





pequema história


 

na noite
faço uma canção
pequena historia
tremula
pra balançar
teu coração
pois
é muito bom 
brincar de paixão
de se amar

récem nascidos

 
algumas cabras
vermelhas
pastam
despreocupadamente
sentadas
nas janelas
quebradas
das casas 
desbotadas
às margens
dos córregos
que negando-se
a ser suburbanos
sibilam velozes
revoltos 
sobre o asfalto
carregando
entulhos
automóveis e pessoas 
lixo
como um urro
insaciável
atormentando
o sono
dos recém nascidos
enquanto
ligado na tomada
instalado 
no sistema
entrelaçado
em tramas mundiais
quase infinitas
o deputado
sorrateiramente
conta os dinheiros 
da propina
que matou
muitas mães
das periferias 
mas paga
seu uísque
tão falsificado
quanto as notícias
dos telejornais 
oficiais
ou o amor
de sua esposa
que se entrega
lasciva
ao chefe de gabinete
do seu adversário
 
josé marcos