sexta-feira, 19 de maio de 2017

semiótica


ai..
um dia
me entrego 
à paixão
sem lógica
logística
semiótica
pra te encontrar
de repente
em um sonho
sangue bom
e assim
em meio
às nuvens
num balão
encarnado
amar-te
enquanto
a música
chove
torrencialmente
fecundando
escondida
a cidade
agonizante

josé marcos 

Interminável


andava triste
acabrunhado
quase
um eremita
um morto vivo
dai
você
me ofereceu
teu abraço
me joguei
sem escrúpulos
sem a menor noção
passei a sentir
uma alegria
sem fim
um bem estar
interminável
a cada gota
de teu amor
baby

josé marcos 

minusculo


hoje
acordei
não tão...
revolucionário
ao abrir a janela
gritei
minúsculo
toda a minha insatisfação
com o ódio
com as desigualdades
mas
a cidade
permaneceu
sigilosa e triste
enquanto
minhas lágrimas
desdentadas
pingavam
incontroláveis
a fertilizar
as sementes
da esperança
que se escondem
adormecidas
sob o chão
no reino
das minhocas
sem cabeças


josé marcos

sexta-feira, 21 de abril de 2017

pelo que eu saiba


 

não sou
um homem
de medos
o medo
a meu ver
é inventado
pelo que eu saiba
ninguém
nasce com medo
implantasse-o
constroisse-o
dissimuladamente
nas trevas
no silêncio
mas
entretanto
temo
as coisas escondidas
a caminhar
sombrios
pelo palco
mórbido
de algumas vidas
a choramingar
praguejar
amaldiçoar
permanentemente
a cada instante
apesar do sol
da lua
cometas
estrelas
do brilho
da luz
dos olhos
que refletem
a alegria
de nossos amores
sem compromisso
pelas flores
bichos
crianças
anciões
artes
pelos esquecidos
a gritar
incansavelmente
atrás
das pálpebras
de cada
olhar
rebelde
que desafia
desigualdades

josé marcos



outro jeito




se nosso amor
fosse proibido
certamente
inventariamos
outro jeito

de amor

josé marcos

verão




repentino
um  sinal
despetala-se
num sol

sanguíneo
pingando

em gotas
que correm
nas notas
do choro
samba
canção
rock'n'roll
a soar
nas ruas

muitas
palavras

desmistificadas
pintadas
nas paredes
nas peles
sorridentes
com a chegada
do verão

josé marcos

entre suspiros


entre suspiros

 

menos
que pétala
menos
que
estrela
apenas
sonhador
um não poeta
um ajuntador
de rimas

inexpressível
cantador
de toadas
apaixonadas
bêbado
de emoções
corrosivas
escapando
entre suspiros
apressados
a tropeçar
na morte

da musa
periférica
como sua vida